Além da sua grande resistência e capacidade de orientação, a andorinha é uma ave que exibe uma grande agilidade enquanto voa. Durante o tempo em que nos visita, esta simpática ave faz o seu ninho, ou reconstrói o antigo, no sítio onde ela própria nasceu.
A escrita de Steiner, o seu conhecimento enciclopédico e a sua erudição faz dele um pensador invulgar, às vezes genial. Gosto de ler, de (re)ler os pensamentos de Steiner e de me deixar ir nas suas reflexões... Steiner é um admirador das obras dos grandes génios das artes, da filosofia, da políticas e da ciência - e para ele, a ciência é o ramo que nunca se devia ter separado da filosofia. Se assim fosse talvez lessemos o mundo de uma outra forma.
Nesta pausa, reli um dos livro de Steiner - O Silêncio dos Livros e como de costume, sublinho passagens que se tornam mais significativas no momento da leitura. Curioso, quando leio o livro mais do que uma vez... nem sempre coincidem os sublinhados,e desta vez, voltou acontecer! Nesta (re)leitura destaquei duas passagens:
... não há garantia nenhuma de que o número de livros impressos nos formatos tradicionais venha a diminuir. Parece até que o contrário é que está a acontecer.
A revolução electrónica, com o aparecimento à escala planetária do processador de texto, do cálculo electrónico e da rede informática, configura bem mais uma mutação do que uma invenção dos caracteres móveis na época de Gutenberg. Aquilo a que chamamos realidade virtual poderia perfeitamente alterar o funcionamento habitual da consciência. Os bancos de dados, que atingem já uma capacidade de armazenamento quase infinita, hão-de substituir os labirintos incontroláveis das nossas bibliotecas por um punhado de circuitos. Qual será o efeito disso na leitura, na função dos livros tal como os conhecemos e amámos?
Ando entusiasmada com os leitores electrónicos ou e-reader....Para quem se interessa por estes assuntos, aconselho a leitura do artigo de José Afonso Furtado Leitores electrónicos levantam problemas de usabilidade
O investigador e docente José Afonso Furtado, que acompanha desde o início a evolução dos livros e dos dispositivos de leitura electrónicos, alerta que estes aparelhos ainda levantam problemas de usabilidade e que convém ponderar antes de os adquirir.
O primeiro leitor de livros electrónicos - ou e-book reader - surgiu em 1998 mas, mais de uma década depois, "continuam a haver problemas de incompatibilidade de formatos e extremas dificuldades em ler, independentemente dos dispositivos, ficheiros que foram comprados, o que é inaceitável para o consumidor", salientou José Afonso Furtado, que é também director da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.
"Eu, quando compro um livro impresso, leio-o em qualquer sítio. Agora, se eu comprar um livro para o Kindle, só o posso ler no Kindle e isso é algo que não passa pela cabeça de ninguém", criticou.
Um comprador do Kindle pode recorrer à livraria virtual do aparelho - onde consta, por exemplo, a versão em língua inglesa do romance "Que farei quando tudo arde?" ("What Can I Do When Everything's On Fire?"), de António Lobo Antunes - mas não consegue ler um ficheiro pessoal se este não estiver num formato compatível.
Para tornar o ficheiro legível, "é preciso enviá-lo para a Amazon que, mediante pagamento, o converte", explicou José Afonso Furtado, para quem um investimento neste tipo de aparelhos deve ser bem pensado.